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Inflação de janeiro abaixo do esperado pode acirrar embate entre governo e BC...

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O IPCA de dezembro foi de 0,53%, abaixo do esperado pelo mercado (0,57%). Nos últimos 12 meses o índice acumula alta de 5,77%, próximo ao projetado pelo relatório Focus para o ano (5,78%) e acima da meta (3,25%) e do teto (4,75%).

· A despeito da subida acelerada dos juros a partir de março de 2021, o IPCA furou o teto da meta em 2021 e 2022, algo que deve ocorrer novamente em 2023.

· A atuação do Banco Central está no cerne das críticas do novo governo e deve continuar a ser assunto nas próximas semanas. Campos Neto dará entrevista ao Roda Viva na próxima semana, o que deve atrair a atenção do mercado.

· Além disso, notícias indicam que Roberto Campos Neto irá propor a mudança na meta de inflação de 2023 de 3,25% para 3,5% na próxima reunião do Conselho Monetária Nacional (CMN) na próxima quinta, dia 16. Além de Campos Neto, fazem parte do conselho o Ministro da Fazenda Fernando Haddad e a Ministra do Planejamento Simone Tebet.

· Alguns dados mostram a dificuldade que o Banco Central terá em retomar a credibilidade em relação ao cumprimento da meta de inflação:

a. O risco fiscal. O orçamento de 2023 indica déficit primário de R$ 231,5 bilhões e há desconfiança em relação ao compromisso com a responsabilidade fiscal do governo;

b. A expectativa de mercado de novo estouro da meta em 2023. A mediana das expectativas coletada pelo Boletim Focus é de 5,78% contra um teto da meta de 4,75%;

c. O descolamento da expectativa inflacionária para 2024 e 2025 do centro da meta. O Boletim Focus indica IPCA de 3,93% e 3,50% respectivamente, contra um centro da meta de 3% para os dois anos; e

d. Os temores de interferência na instituição elevam o risco, afetando dólar e juros futuros.

     2022*    2023     2024

· O item alimentação e bebidas e transportes (0,59%), contribuiu com 0,13 p.p. no índice com destaque para a batata-inglesa (14,14%), seguido por transportes (0,55%) com impacto de 0,11 p.p., com destaque às elevações dos preços da gasolina (0,83%) e etanol (0,72%).


Vendas no varejo caem mais do que o esperado em dezembro e fecham 2022 com crescimento de 1%...

· O crescimento médio do PIB de 2022 deverá ser razoável, superior a 3%. No entanto, há sinais de que no final do ano a economia já estava desacelerando como sugere o dado do varejo para dezembro.

· As vendas no varejo caíram 2,6% em dezembro mais do que o esperado pelo mercado (-0,6%). Em relação a nov/21, houve crescimento de 0,6%. No ano de 2022, o setor acumulou alta de 1%.

· Além dos motivos macroeconômicos, é importante lembrar que nos últimos anos o varejo de dezembro vem apresentando resultados ruins pelo adiantamento das compras do Natal, que passaram a ser feitas na Black Friday. Entre 2018 e 2022, apenas em 2019 (+0,5%) o varejo em dezembro não apresentou queda superior a 1%.

· Alguns motivos têm contribuído para o desempenho ruim do varejo:

o A taxa de juros em 13,75%;

o Expectativa de desaceleração na economia;

o Inflação alta; e

o alto endividamento das famílias.

· No acumulado de 12 meses o setor que mais cresceu foi combustíveis e lubrificantes (23,2%), ajudado pela queda do preço dos combustíveis em meados do ano.

O setor de varejo foi um dos que melhor se adaptou aos desafios da pandemia. Porém, com a retomada das atividades houve uma migração do consumo de produtos para serviços.




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